Na semana passada, o Instagram surpreendeu ao lançar um novo aplicativo de vídeos. O IGTV é focado em vídeos com até 1h de duração e qualquer pessoa poderá criar um canal na nova plataforma, que é exclusivamente mobile. Até então, o Instagram só permitia vídeos de até 60 segundos no feed e de até 15 segundos no Stories (o formato copiado do Snapchat).

A grande sacada do IGTV é exibir vídeos somente na vertical, que é a forma habitual que usamos o celular. O próprio YouTube já havia disponibilizado essa forma de visualizar vídeos no seu app.

São vídeos que exigem mais profissionalismo em sua produção (ao contrário de um Stories, que usualmente pegamos o celular e criamos na hora). O objetivo é realmente rivalizar com o YouTube, que começou como um site que exibia vídeos de gatinhos e hoje se tornou um gigante com 1 bilhão de usuários todos os meses e que é a plataforma preferida dos adolescentes americanos.

IGTV: o vídeo ainda mais pessoal

Enquanto eu refletia sobre o IGTV e seu espaço entre as plataformas de vídeos (não podemos esquecer da Netflix e do Facebook Watch), comecei a pensar de que forma ele poderá ser usado pelas marcas em suas estratégias de marketing digital.

Por só permitir vídeos na vertical que apenas podem ser vistos no celular, ele cria uma nova tendência em produção e consumo de conteúdo.

O novo formato muda completamente a produção e edição. Muitas marcas têm adaptado seus vídeos produzidos para a TV ou YouTube para a tela do celular. Porém, os principais influencers têm criado conteúdos pensados especificamente para a plataforma.

Como esses vídeos não podem ser vistos na TV ou no computador – pelo menos por enquanto -, certamente eles serão consumidos individualmente. O velho hábito de ver TV com vários pessoas diminuirá drasticamente.

É a TV ainda mais pessoal e personalizada!

Outro ponto que afeta o consumo é que o IGTV não tem uma home. Você abre o app e já começa a assistir um vídeo selecionado pelo Instagram, entre os canais que você segue.

Essa sacada evita a fricção no momento de assistir alguma coisa. Boa parte do tempo que as pessoas gastam no YouTube ou Netflix é escolhendo algo para ver.

E o YouTube?

Nesse sentido, o YouTube é muito mais parecido com a Netflix.

A Netflix emula boa parte da experiência de ver TV como sempre vimos, mas vai além: permite que você escolha o que quer ver, na hora que quiser, indo e voltando nos episódios como bem entender.

O YouTube adiciona mais um ingrediente: permite ainda que qualquer pessoa publique seus vídeos, criando o “você tube”.

O IGTV aproveita um espaço deixado pelos seus concorrentes que, até então, vinham apostando no consumo de vídeos na tela do computador ou da TV. Mesmo quando consumidos no celular, esses vídeos são, em sua maioria, na horizontal e pensados para a tela grande.

Um ponto a favor do IGTV é que já nasce com 1 bilhão de usuários – e qualquer pessoa pode criar seu canal em poucos segundos, sem nem precisar baixar um novo app.

Planejando conteúdos para diferentes plataformas

Pensando como marca, como eu poderia investir meus recursos e de que forma planejar meu conteúdo? Um dos pontos muito mencionados durante a apresentação do IGTV foi a qualidade. O Instagram quer vídeos bem produzidos em sua plataforma – assim como já acontece no YouTube.

Antes de planejarmos os conteúdos que serão produzidos para o novo app, precisamos pensar nos hábitos de consumo das pessoas. Quando e onde esses vídeos serão consumidos? Quanto tempo alguém dedicará para cada vídeo? Quais conteúdos interessam mais às pessoas?

Considerando IGTV e YouTube como as principais plataformas de vídeos, podemos pensar em estratégias diferentes para cada um.

Em se tratando de um conteúdo que só pode ser visto pelo celular, arrisco a dizer que formatos mais curtos, entre cinco e dez minutos, terão mais chances de sucesso. Claro que isso só poderemos saber depois de alguns meses, mas essa me parece uma duração com mais chances de sucesso.

No YouTube, por exemplo, vídeos de até 2 minutos possuem mais visualizações. Porém, vídeos com duração média de 15 minutos rankeiam melhor na busca (lembrando que o YouTube é o segundo maior buscador do mundo, atrás apenas do próprio Google).

Além da duração e do formato dos vídeos, temos que levar em consideração que no IGTV os vídeos serão consumidores pelas pessoas enquanto elas estão sozinhas.

O YouTube, por sua vez, permite ser compartilhado com várias pessoas ao mesmo tempo.

O poder de viralização é outro fator importante do IGTV. Enquanto que no YouTube você pode trabalhar o SEO dos seus vídeos para que eles apareçam mais bem colocados nas buscas, o IGTV basicamente conta com o poder da recomendação.

Portanto, assim como no YouTube, pense em criar conteúdos que as pessoas queiram compartilhar com seus amigos – e esse compartilhamento pode ser feito com o toque de um botão.